Tomas M.

Tuesday, January 01, 2008

Harry Potter e as relíquias da morte

[Atenção. Abaixo está uma resenha apressada sobre Harry Potter e as relíquias da morte. Se você não leu o romance, faça o favor de partir a mil. Se quiser, também, essa bagaça é pública. Se tem menos de dezoito anos também se mande. Você possivelmente é fraco e inexpressivo, portanto posso deturpá-lo gravemente. Não vale o risco. Estou enrolando para você ter a chance de sair ileso, potterfã meia-boca. Abaixo uma imagem do Harry no mais puro couro, para a distração.]

Hum, couro.
(Daniel Radcliffe, para a Details, fotografado por Steven Cline)
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........Depois de seis anos sobrevivendo a incontáveis perigos como Voldemort, os Comensais da Morte e Harold Bloom, Harry Potter chega às livrarias brasileiras em seu último livro, HP e as Relíquias da Morte. É, isso já faz um tempo, mas como eu realmente sou uma pessoa ocupada (Brazil’s Next Top Model tomava muito do meu tempo! ), o livro e essa resenha tiveram de esperar. Aliás, se você não leu o livro ou tem menos de dezoito anos, não prossiga. Digo logo, prometo solenemente não fazer nada de bom!
........Negócio difícil foi fugir de toda e qualquer coisa que noticiasse algo sobre o “pequeno bruxo” ou o “bruxinho” (risos). Só não consegui escapar realmente de uma ou duas declarações ouvidas sem querer de potterfãs tagarelas- malditos potterfãs!.
........A menos significativa e, portanto, a mais comentada foi a de que Dumbledore era gay. E daí, meu bem? Pena que ele morreu, oras. Vamos atrás das fanfics! Ou vão lá no dumbledore pride: http://www.dumbledorepride.com/ Sério, meu aniversário está chegando, podem me comprar a roxa no maior tamanho que tiver.


Harry desce ao inferninho. Opção de carreira.
(idem)

........A verdade era que um livro mais gay seria bem vindo. Eu sei, eles já fazem floreios com as varinhas e dão uma rodadinha nos calcanhares para desaparatar. Mas queria que Harry entrasse no laguinho de novo, que unicórnios aparecessem destruindo alguma horcruxe, que Harry montasse em uns centauros, que um dos três virasse animago... Faltou brilho, um cálice de fogo, umas chamas, um ursinhos carinhosos unindo seus poderes... mas tudo bem. Foi meio genial ela ter conseguido o que conseguiu, considerando que Harry Potter é imensamente mais fraco do que Voldemort, mas ao menos é perfeito, não é mesmo minha gente? Os Elfos têm uma participação significativa no livro, que é realmente bacana e já dava para prever, após no segundo livro Dobby ter ameaçado Lúcio Malfoy levantando apenas um dedo – nada de bullyng com baixinhos esfarrapados, ok?
........E o amor né? Que mais impediu Harry de morrer naquele dia fantástico? (Aliás, será que no mundo da magia inteiro nenhuma mãe avançou pra proteger o filho da magia de Voldemort? Cruzes, que gente má.). O que mais fez com quem Dumbie ficasse tão cego ante um futuro quase Voldemort? O que diabos impede que casamentos gays sejam realizados senão o fato da Igreja ter de assumir que há um pessoal que se casa por amor, e não pela mais pura procriação? (touché).
........E tenho certeza de que Grindewald só perdeu a briga pelo amor que ainda sentia por Alvo. Ora vamos. A varinha das varinhas iria perder um duelo assim? Com certeza o cara ficou balançado, houve uma conturbada troca de varinhas e aí já nem se sabe.
........Para mim é já certo que vai ter um próximo livro. Um simples Relíquias da morte ou um escrachado Alvo Potter e a Pedra da Ressureição seriam tudo. Mas ela não queria encerrar mesmo. Pela mãe do guarda, a pedrinha ficou largada por aí? Estão loucos? Bota no pominho de novo, dá pra um dragão comer, sei lá. A varinha das varinhas ficou num túmulo já anteriormente profanado. Se um fulano ressuscitar Voldemort, já viu. Mas nem precisa. Bota um psicão querendo ser o Senhor da morte e o estrago está feito.
........E vem cá, por que Snape queria tanto ensinar Defesa contra as artes das trevas? Vocação? E o desenho da capa, é de que parte? O que Harry está fazendo ali?. Accio alguma coisa? Dúvidas, dúvidas...


Harry, com dúvidas. Nada ficou no lugar... eu quero quebrar essas xícaras...
(idem)

........E o destino dos cabras hein? Penso que os três devem fazer o que Tiago e Lílian faziam da vida: posavam para fotos. Em todo caso, Harry e Rony devem ter virado aurores, se fossem jogadores de Quadribol seria uma coisa muito winner, como dizem. Hermione deve estar em algum departamento no ministério; se fosse professora, saberíamos, pelo salário horroroso e pela exclusividade de morar naquele lugar.
........E os gritinhos inapropriados de Herminone? Alguém precisava sacudi-la: “Garota, ou você se cala ou sai da barraquinha.”. Digo logo, Hermione nunca chorou tanto num livro. Gente briga ela chora, gente faz as pazes ela chora, fulano morre ela chora, fulano nasce ela chora, fulano conta sua história no Cabeça de Javali e ela lá desidratando...
........E pra que barraquinha com a bolsinha onde cabe tudo? Antes morar ali. Sempre achei que esse pessoal usa mal os artefatos mágicos, mas podia ter um manual, não? Se bem que toda instrução é metafórica mesmo... Poesia quem curte: "Abro no fecho" rs. E bem que as gemialidades poderiam ter sido mais úteis, hein? Tirando as bombas de bosta, tem tanta coisa que podia ser usada...
........Fim da picada J.K. ter destruído o amor entre Lupin e Sirius. Eu estava crente de que eles rolariam juntos no pós-morte... Que Sirius é gay todo mundo sabe, mas Lupin tem essa coisa enrustida de lua cheia, da espécie normalmente não procriar. E o coitado era professor né, a gente sabe como isso costuma ser complicado nas escolas (risos). E J.K.Rowlling arruma um filho com Ninfadora...
........Aliás, esqueça os caça-níqueis tipo “Querida mamãe, obrigado por mim” e dê a sua progenitora Harry Potter e as relíquias da morte no próximo dia das mães. Lilian é eterna em nossos corações, Narcisa arrasou, Molly Weasley idem (“A MINHA FILHA NÃO, SUA VACA!”). Não dá Mole, Molly! As mães bombaram nesse livro.
........Engraçado é que se Harry não pensava em matar, que ele queria buscando Voldemort? Pegar a varinha dele? E em Harry Potter ninguém morre realmente né, vira quadro, jóias ou purpurina. Pura magia. Malfeito feito.

Sunday, October 14, 2007

Do you wanna be on Top?


Tyra Banks canta, dança, sapateia e tira foto. Ah, e humilha.

........Nada de liberdade para chorar em público, sexto sentido ou poder de dar à luz. Se há algo que realmente invejo nas mulheres é a possibilidade de se tornar uma America’s Next Top Model, a próxima top model estadunidense.
........Criado em 2003 por Tyra Banks, o America’s Next Top Model é um dos programas de maior sucesso da tv norte-americana. A proposta é pegar um bando de mulheres comuns – comum, nesse caso, significa magras, muito magras – e selecionar uma que pode vir a se tornar a próxima Top Model norte-americana. O programa já está em sua nona edição nos EUA, com audiência também top. No Brasil não faz feio e é apresentado no horário nobre da Sony, com outras três reprises durante a semana. Era realmente uma questão de tempo para que, numa terra que produz tops como produz políticos corruptos e, sei lá, soja, surgisse o Brazil’s Next Top Model.
........O primeiro processo foi achar a apresentadora. Dizem que tiveram a pachorra de convidar Gisele, mas ela realmente tem mais o que fazer, não? Boatos dizendo que seria Giane Albertoni assustaram a galera, mas quem acabou escolhida foi a top model brasileira Fernanda Motta, que quase ninguém conhece, mas tá valendo, porque aqui a gente só conhece gente da moda quando colocam em nossa cara e esfregam. Ainda assim, é estranho, porque, bom, deve haver dúzias de gurias que queriam ser Gisele, ou cujas mães queriam ser Luísa Brunet, ou enfim, mas quem queria ser Fernanda Motta?


........

"- Fernanda o quê?
- Motta.
- Er..."

........Fernanda é bonita, tem uns ângulos ótimos, mas nos dois primeiros programas ela mostrou que não é nenhuma Tyra Banks. A apresentadora do ANTM criou, produz e faz de um tudo naquele programa, desde escolher as melhores fotos até cantar o tema da abertura. E Fernandoca? Francamente, ela fez teste para entrar! Ver Fernanda pagando de Tyra imitando-a descaradamente na eliminação das meninas com o tonzinho clássico de “pack your belongs and go home” foi impagável. O célebre Tyra maaaail virou carta da Fernandaaaa, o que é brochante para quem curtia a versão original, mas não sei como mudar isso. Fê mail era uma, apesar ou até pelo trocadilho com female rs. Esquece. Lost in translation.
........Ver algumas das meninas diferenciando miss de modelo foi também curioso. Em resumo, representaram as misses como idiotas sorridentes e as modelos como mulheres de atitude, como diz a Miss Paraíba, que foi eliminada. Chupa toda, misses.
........A Fernanda é brava e dá umas broncas federais nas modeletes. Mas é difícil levar a sério alguém que parece tirar as melhores modelos da casa. E deixar as gordinhas! “Todas estão meio roliças”. Meio, Pazetto? A mais roliça é a que mais tem comido na casa! As modeletes sacaneiam muito os jurados, tipo “Aquele lá, o ‘estilista’ deve ter me medido a mais, eu não tenho um metro de quadril”, ou “não confio em quem escolheu o shoot”, “Eles só pegaram as piores fotos que tiramos”. Se já não bastasse o sério problema do tempo necessário para simpatizarmos com os jurados, nem as modelos os respeitam. E os editores mostram isso para os caros telespectadores! E aí, gente? Alexandre Herchcovitch é tudo de bom, a Érika Palomino sustenta e sacaneia bem, o Paulo Borges é promissor, mas a Fernanda precisa melhorar a própria postura fashion. Alguém devia chacoalhá-la e dizer para parar de usar roupas folgadas parecidas com moletom e camisas regata. Fernanda, blusa levinha precisa de calça pesada. Ninguém vai querer ser top model se ela se portar assim. E é bom que ela se exiba mais para as garotas. Admirar somente um instrutor que arrasa num scarpin não é suficiente para manter o interesse pelo programa.


Fernanda Motta derretendo com o modelito.

........Mas bem ou mal há provinhas inspiradas no original norte-americano, o que é até um ponto positivo. Além do mais, aguardamos a tranformação das modelos para ver as meninas chorando pelo cabelo transformado de castanho sutilmente escuro para castanho quase semi escuro ("Não combinaaa, mudou tuuudooo!") ou com pontas cortadas ("Me sinto um homeeeem!"), que já rendeu momentos impagáveis ao programa original. E, oras, o programa tem muito para dar certo. Contrariando expectativas, eles receberam uma grana bacana para fazer algo interessante. Não é a pobreza das adaptações do sbt (vide irc Ídolos), e se eles superarem o complexo da globo de transformar tudo em BBB, pode dar seriamente certo.
........Além do mais, é um programa com algo sobre moda para o Brasil. Vale criticar sempre, meter o pau, mas dar uns votos de confiança pode ser bacana. O America's visivelmente se aperfeiçoou com o tempo. Se eles descobrirem um tom para a versão brasileira, se Fernanda engordar e se as modelos emagrecerem, pode dar certo. A segunda sessão de fotos foi muito infeliz, exatamente por querer mostrá-las sem photoshop. As meninas têm uns tracinhos agradáveis, mas muitas parecem aquela filha qualquer nota da vizinha, e ao ver as fotos de perto dá vontade de dizer: Olha, tá lindo, mas sai daqui agora. Se Kate Moss é mostrada com photoshop, por que não a Maria da Silva?

As doze candidatas. Olha para mim e faz um biquinho!

........Há meninas que com certeza só ficam por serem curiosas, como a baixinha que tem umas tatuagens enormes no corpo, logo acima dos peitos, e nos dois braços. Óbvio que há modelos tatuadas e que há boas maquiagens, mas acreditar que alguém pode ser top sem ser facilmente versátil... Tem gente de visual tosqueira que os jurados deixam creio que para ter quem tirar depois. De todas, se conta nos dedos quem ali poderia ser uma modelo de sucesso mediano. As outras não passam de meninas bonitinhas, e em uns casos, nem isso.
........
Aliás, as vencedoras dos Next Top Models da vida viraram tops? Hoje com mais de oito temporadas concluídas e cerca de 27 subprodutos mundiais como o Britains’ Next Top Model, Italy’s, France’s, Nigeria’s, Super Model Centroamérica, Indonesian Model Indosiar, Slovakia's Next Top Supermodel, Top Model Ghana (sim, Gana!), das duas uma: ou há pelo menos duas dúzias de gurias num semi-ostracismo ou há top pra todo mundo nessa vida. Mas quem liga? É puro entretenimento ver meninotas querendo ser o que elas não são e o que elas possivelmente não serão - nada como uma catarse para nosso sadismo - e ouvindo isso dos jurados. A Fernanda não poupou: "Seu sonho termina aqui", disse para a primeira eliminada injustiçada, apesar de depois ter emendado um "Não desista" rs. De fato, elas estão ali para divertirem a gente com suas lamúrias e nos mostrar que para ser super modelo é necessário mais do que um rostinho bonito: é preciso considerável habilidade e inteligência. Além, é claro, de photoshop. Muito photoshop.
........Ainda bem que para Gisele, por exemplo, foi criado um novo termo: übermodel, colocando nossa modelona além do topo e dos projetos de tops. Referência-mor de qualquer modelo iniciante brasileira, fico imaginando a cara dela assistindo a esse programa. C
omo bem disse o título do ensaio de Michael Thompson na W, “Como ficar feliz com o corpo que Deus nos deu, se ele também nos deu Gisele?”, não é mesmo, minha gente?

Sunday, July 22, 2007

Rufus Wainwright - Release The Stars



........Nunca fui a um concerto da chamada música clássica, mas ouvir no meu rádio é complicado por um motivo simples: variação nos volumes. Para ouvir certas partes, é necessário que o som esteja num volume considerável, mas quando se entra no clímax da peça, o som estoura e fica impossível. Música clássica não é pop, realmente: compreensivo.
........Muitas músicas do delicioso Rufus Wainwright apresentam a mesma característica. Pretensioso e seguro em arranjos, com literariedade única, Rufus é fabuloso. Sua voz é de uma estranhice sem tamanho, tem tudo para ser amelódica e é meio anasalada; como pode ser tão linda e ser utilizada de modo tão preciso e precioso? Rufus tem dessas de ser precioso.
........Eu tinha o cd Poses como o melhor de sua carreira, pelo equilíbrio perfeito entre sua veia apoteótica e a leveza pop. Em Want one e Want two, ele entra em uma por vezes excessiva viagem medieval, e a densidade de certas faixas se transforma em peso. Prossigo com o Poses, quando inesperadamente entra em cena Release the stars, novo álbum do gay messiah. E Poses começa a temer.
........O cd já começa com Rufus agudando Do I disapoint you in just being human?, cheio de apoteoses e niilismo. A coisa toda estoura que é uma loucura, mas dessa vez Rufus não derrapa e introduz o cd muito bem. Ironicamente, é a que menos ouço, por parecer trazer a dor do ápice de uma tragédia, momentos em que se quebram coisas e em que se dizem as tais verdades. O coro grita, o mundo grita, menino, é uma coisa.
........E o cd segue ainda melhor. Difícil hierarquizar. Possui alguns dos desenhos melódicos mais interessantes e bonitos que já vi (quem quiser conferir e concordar, ouça a parte final de Leaving for Paris Nº 2). O fantasma da ópera surge aos meus ouvidos no final de Between my legs; deliro. Nesse cd, aliás, ele é a ópera, a Broadway, o lirismo, crítica social e sexualidade típicos, é a alma do soul, é o cabaré. O cabaré, inclusive, explode em Release the stars, a última música e aquela que nomeia o cd. Rufus eleva seus dramas a última potência, com a afetação necessária de um cara genial.
........Pior é que ele sabe disso. Sabe que por mais que ele seja um tanto exagerado ao expor suas emoções, seus dramas, suas crecas e confissões, ele pode. Rufus transborda, mas ele pode. Sabe que pode.
........No verso da capa está a seguinte dedicatória: “This álbum is dedicated to my mother who still whispers in my ear that I’M GREAT.” Quem aguenta? Rufus aparece numa foto com a mãe, vestido com aquela roupa clássica de alemães. Nunca ninguém ficou tão bem com essa roupa, diga-se.
........Disse ele numa entrevista que foi para Berlim porque queria fazer um álbum underground, e lá entrar no electroclash(quê?), cortar o cabelo loucamente e talvez voltar a usar drogas, para incorporar plenamente o subversivo, mas pirou com o romantismo, o luxo e a grandiosidade e descambou para o que se tem em Release the stars. Olha que achei bem válido.
........É ele quem assina as fotos e a arte da capa. Os seres de cimento retratados por Rufus foram tirados do Altar de Pergamon, no museu Nacional de Berlim, e curiosamente se parecem muito com criaturas num palácio e parque em Potsdam, Alemanha, chamado Sanssouci, e que nomeia uma das músicas do cd. Sanssouci é sem preocupação, em francês, sussa por fim.
........Rufus Wainwright parece caminhar para ser exatamente isso: uma mistura do sossego de quem confia plenamente em si mesmo com o poder da batalha dos deuses contra os gigantes, tentando controlar o caos. Em Release the stars, ele é só um humano, mas não desaponta e consegue.

Rufus Wainwright - Release the Stars

Para quem quiser ver a roupa de que falei, dê uma olhada na ótima participação do Rufus no David Letterman. Ele cantando ao vivo é sempre melhor do que dublando em clipes.

No link: http://br.youtube.com/watch?v=YFB2PToozUY , está o clipe Rules and Regulations. Adoro o Rufus sem instrumentos: há mais espaço para as dancinhas.

Sunday, May 13, 2007

de Esparta

........Mas você me parece feliz agora, e isso deve ser maravilhoso. Nos conhecemos, fomos bons até um tempo, até o tempo em que se iniciou o incômodo. Tolos, achamos que da solução dele havia nascido o amor. Ele surgiu do incômodo, ele é a sua matéria, e instintivamente alimentamos uma estranha história do drama. Veio o maior dos conflitos e clamamos juntos que passassem as nuvens negras, sem querer entender que ele era quem nos juntava. As águas ainda tinham muito a dar; não sabíamos, e amaldiçoávamos aquela que matava a sede. O céu abriu e já não sabíamos o que fazer. Vamos à sombra; melhor, lutaremos à sombra.
........As flechas chegaram e cobriram o sol. Também elas acabam e vieram pedras garimpadas de todas as frestas. Acabaram, parece que só resta essa estúpida areia agora, e sai do controle quando a jogamos um contra o outro, e voltam e ardem os olhos.
........Mas temos cansaço, certo desânimo. Já não há matéria justificada para conflito. Há o nada, que nos empurra contra o outro, que nos faz personificar toda a justificativa para nossos estúpidos dramas. Reaproveitamos flechas, areia e mágoas. Maquiamos, para ignorar o fim de um tempo. Nem a distração impede que vejamos que a ordem foi alterada, não impede que vejamos que não a temos nas mãos.
........A esse ponto chegamos.
........Não há mais volta agora.

Friday, April 27, 2007

........Parece que estou ouvindo um mp3 sem trilha. Parece que o ar ficou denso de vez, e acabou deixando os objetos mais leves. Parece que os objetos só servem para passar mesmo. Mas fico olhando.

Saturday, March 31, 2007

Canção do Nelson, da Ana, da Gal. "Se vais beijar como eu bem sei, fazer sonhar como eu sonhei, mas sem ter nunca amor igual"...

Alguém me disse
(Edvaldo Gouveia - Jair Amorim)
Alguém me disse
que tu andas
novamente
De novo amor, nova paixão,
todo contente
Conheço bem tuas promessas
Outras ouvi iguais a essa
Esse teu jeito de enganar
conheço bem
Pouco me importa
que tu beijes tantas vezes
E que tu mudes de paixão
todos os meses
Se vais beijar
como eu bem sei
Fazer sonhar
como eu sonhei
Mas sem ter nunca amor igual ao que eu te dei.

Saturday, March 24, 2007

Fiat Lux

........Meu quarto, se está bagunçado à noite, não me traz a tranqüilidade necessária para a evasão. Em casos como esse, como fazem as pessoas de bem quando são responsáveis por alguma desordem, eu costumo deixa-lo lá e ir escrever na sala. A razão da tranqüilidade é similar à da folha em branco: potencializar as coisas com molduras neutras.
........Ainda que fiquem contando suas histórias ao léu, e bem alto muitas vezes, ou resmungando seus problemas e rugas, os móveis e as outras coisas não parecem ligar a mínima para o que sinto ou tenho a dizer. Me sinto em casa. A falta de silêncio é suavizada pela indiferença deles, e, se um vaso mais rebelde não cai por ação de um de seus fantasmas internos, me sinto à vontade para escrever ou pensar sobre coisas. Apenas a luminária parece ter algum interesse, debruçada sobre o que escrevo.
........Pobres luminárias de memória e caráter fracos, restritos às suas lâmpadas, que, ao apagar das luzes, esquecem o que viram, e passam o resto do tempo desesperadamente tentando lembrar do momento que se esvai, como migalhas de um sonho numa ampulheta.
Esfriam e terminam por se resignar, deprimidas. Soube que quando o stress de luz e sombra chega a um ponto crítico de vontade avassaladora de lembrar, fundem-se a luz e a sombra, e elas jamais voltam a se acender.
........Não se sabe se elas lembram de algo nesses instantes de fusão, já que não podem mais se comunicar, como um homem decepado a quem falta fôlego para dizer como é o outro lado.
Certos pais suavizam para os filhos a notícia. Outros limitam-se a tapar os olhos. A lâmpada então é trocada e se inicia nova vida no reciclar dos corpos. Quase nada se perde, realmente. Triste vida a de quase todos os seres.

About Me

Tomas
L’amour est um oiseau rebelle Que nul ne peut apprivoiser.
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